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Como comprar seu primeiro Tesouro Direto

Comprar um título público é mais simples e mais barato do que quase qualquer investimento do país. O passo a passo do zero ao primeiro título, com a escolha certa do papel para o seu objetivo.

Fugazzi Research 10 min

Comprar um título público é mais simples do que a maioria imagina e mais barato do que quase qualquer outro investimento do país. Este guia leva você do zero ao primeiro título no carrinho, com a decisão certa de qual papel comprar para o seu objetivo e o que vai pesar nos custos.

O Tesouro Direto é o programa do Tesouro Nacional que permite à pessoa física comprar títulos públicos federais pela internet, com aplicações que começam em valores baixos. É a forma mais acessível de emprestar dinheiro ao governo e receber juros por isso, com o menor risco de crédito disponível no Brasil.

Antes de seguir o passo a passo, vale entender que o Tesouro Direto não é um único produto. É uma prateleira com títulos de comportamentos diferentes. Escolher o certo para o seu objetivo importa mais do que a pressa de comprar qualquer um. Por isso a escolha do título tem uma seção própria neste guia.

O passo a passo da primeira compra

  1. Abra conta em uma corretora ou banco habilitado. O acesso ao Tesouro Direto acontece por uma instituição financeira que faz a ponte com a B3. A maioria das corretoras oferece o serviço sem cobrar taxa própria de administração, então prefira uma que zere essa taxa.
  2. Conclua o cadastro e a habilitação. A instituição registra você na B3 para operar o Tesouro Direto. É um processo único, feito uma só vez, com envio de documentos e confirmação de dados.
  3. Transfira recursos para a conta. Você deposita o valor que pretende investir na conta da corretora, normalmente via transferência ou Pix, antes de comprar.
  4. Escolha o título conforme o seu objetivo. Esta é a decisão central, detalhada na próxima seção. Ela define o comportamento do seu dinheiro ao longo do tempo.
  5. Confirme a compra. Você informa o valor, revisa o preço, a taxa e o vencimento, e confirma. O título passa a constar na sua posição, custodiado em seu nome na B3.
A conta fica no seu nome na B3, não na corretora. Se a corretora tiver problemas, os seus títulos continuam custodiados e podem ser transferidos para outra instituição. A posse do título é sua.

Como escolher o título por objetivo

A regra de ouro é casar o título com o propósito do dinheiro e com o seu horizonte. Cada tipo de título do Tesouro responde de um jeito ao tempo e aos juros, e usar o errado para o objetivo é a causa mais comum de frustração de iniciante.

Para a reserva de emergência

O Tesouro Selic é a escolha natural. Ele é pós-fixado, acompanha a taxa básica de juros e quase não oscila no caminho, o que permite resgatar a qualquer momento sem sustos de preço. É o título que combina segurança, liquidez e previsibilidade para o dinheiro que você pode precisar a qualquer hora.

Para proteger o poder de compra no longo prazo

O Tesouro IPCA é o indicado. Ele paga a inflação mais uma taxa real fixa, travando um ganho acima da inflação se levado ao vencimento. É o instrumento de quem pensa em aposentadoria ou em metas distantes e quer garantir o poder de compra. A mecânica completa, incluindo o risco de oscilação no caminho, está na página sobre como funciona um Tesouro IPCA mais.

Para travar uma taxa conhecida

O Tesouro Prefixado define hoje quanto você receberá no vencimento. Ele é atraente quando você acredita que os juros vão cair, porque trava uma taxa alta antes do corte. O ponto de atenção é que vendê-lo antes do prazo expõe você à oscilação de preço, sobretudo se os juros subirem.

Não existe melhor título do Tesouro. Existe o título certo para o objetivo daquele dinheiro. A escolha começa pela pergunta de quando você vai precisar dele.

  • Reserva de emergência. Tesouro Selic, pós-fixado, quase sem oscilação, liquidez diária.
  • Longo prazo e proteção da inflação. Tesouro IPCA, paga inflação mais taxa real fixa.
  • Travar uma taxa conhecida. Tesouro Prefixado, taxa fixa definida na compra.

Para entender por que o preço dos prefixados e dos atrelados à inflação oscila antes do vencimento, vale a leitura sobre o que é marcação a mercado. A direção desses movimentos é ditada pela curva de juros.


Os custos que você precisa conhecer

O Tesouro Direto é barato, mas não é de graça. Existe uma taxa de custódia cobrada pela B3 sobre o valor mantido em títulos, com uma faixa de isenção para valores baixos no Tesouro Selic. A maioria das corretoras hoje não cobra taxa de administração própria, mas vale confirmar antes de abrir conta, porque essa taxa, quando existe, corrói o retorno.

  • Taxa de custódia da B3. Incide sobre o valor mantido, com faixa de isenção para o Tesouro Selic em valores baixos.
  • Taxa de administração da corretora. Muitas zeram. Prefira as que não cobram.
  • Imposto de renda regressivo. Detalhado a seguir.

Como o imposto incide

Sobre o rendimento dos títulos do Tesouro incide imposto de renda regressivo. A alíquota diminui conforme o tempo de aplicação, partindo do patamar mais alto para resgates rápidos e caindo até o patamar mais baixo para aplicações mantidas por mais tempo. O imposto incide apenas sobre os juros, nunca sobre o principal investido.

Há ainda a cobrança de IOF para resgates feitos nos primeiros dias após a aplicação, que desaparece após esse período inicial. As regras de tributação podem mudar, então confirme as alíquotas vigentes antes de decidir. A lógica de retorno líquido de imposto, que muda a comparação entre produtos, está detalhada no guia sobre como o CDI define o seu retorno real.

O imposto regressivo recompensa o tempo. Quanto mais você mantém a aplicação, menor a alíquota sobre os juros. Resgatar cedo paga a alíquota mais alta, então o horizonte também é uma decisão fiscal.

Com a conta aberta, o título escolhido por objetivo e os custos compreendidos, a primeira compra deixa de ser um salto no escuro. O Tesouro Direto é, para a maioria dos iniciantes, a melhor porta de entrada na renda fixa, justamente porque combina baixo custo, baixo risco de crédito e clareza sobre o que se está comprando.

Perguntas frequentes sobre comprar Tesouro Direto

Qual o valor mínimo para investir no Tesouro Direto?

O programa permite comprar frações de título, então é possível começar com valores baixos, na casa de poucas dezenas de reais, a depender do preço do papel no dia. Isso torna o Tesouro Direto acessível mesmo para quem está dando os primeiros passos.

É seguro comprar Tesouro Direto por uma corretora?

Sim. Os títulos ficam custodiados em seu nome na B3, não no balanço da corretora. Se a corretora tiver problemas, a sua posição continua existindo e pode ser transferida para outra instituição. A corretora é apenas o canal de acesso, não a guardiã dos seus títulos.

Posso resgatar o Tesouro Direto antes do vencimento?

Pode, com liquidez garantida pelo Tesouro nos dias úteis. O ponto de atenção é o preço. No Tesouro Selic a oscilação é mínima, mas no Prefixado e no IPCA o resgate antecipado fica exposto à marcação a mercado, e o valor pode estar acima ou abaixo da compra.

Fugazzi Research

Do conceito ao método aplicado.

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Sobre o autor

Eduardo BiasiCNPI 10189

Analista de Valores Mobiliários credenciado pela APIMEC Brasil sob a Resolução CVM nº 20/2021, responsável técnico pela análise da Fugazzi Research.

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Conteúdo educacional produzido de forma independente pela Fugazzi Research, casa de análise credenciada como pessoa jurídica pela APIMEC Brasil, sob responsabilidade técnica do analista Eduardo Biasi, CNPI 10189 (Certificação Nacional do Profissional de Investimento), credenciado pela APIMEC Brasil sob a Resolução CVM nº 20/2021. Regulatório e Compliance.

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