Prova de reservas
Demonstração de que uma instituição realmente detém os ativos que diz custodiar, sem provar, sozinha, que eles cobrem o que ela deve aos clientes.
Prova de reservas, do inglês proof of reserves, é a comprovação de que uma instituição, em geral uma corretora de criptomoedas ou um custodiante, de fato controla os ativos que afirma guardar em nome dos clientes. Na prática ela costuma envolver a divulgação dos endereços da carteira e uma assinatura criptográfica que comprova a posse das chaves, permitindo a qualquer pessoa verificar o saldo diretamente na blockchain.
O ponto que quase nenhuma manchete explica é que prova de reservas mostra o ativo, não o passivo. Ela fotografa o que está no cofre, mas não diz quantas pessoas têm direito ao que está lá dentro. Para que a reserva signifique algo, ela precisa ser comparada com a prova de passivos, do inglês proof of liabilities, que é a soma verificável de tudo que a instituição deve aos clientes.
A forma mais comum de montar essa prova de passivos é uma árvore de Merkle, uma estrutura que agrega os saldos de todos os clientes em um único código, o chamado hash raiz, sem expor os dados individuais. Cada cliente consegue conferir que o próprio saldo entrou na conta total sem ver o saldo dos demais. Só quando a reserva provada supera o passivo provado é que faz sentido falar em solvência.
Uma corretora pode exibir uma reserva enorme e ainda assim ser insolvente se dever mais do que possui, ou se os ativos mostrados forem tomados emprestados por algumas horas apenas para a foto, prática conhecida como maquiagem de balanço. Uma prova de reservas sem prova de passivos verificável, sem auditoria independente e sem garantia de que as chaves não são compartilhadas com terceiros passa uma sensação de segurança maior do que a real.
Para o investidor brasileiro, o tema deixou de ser nicho depois do colapso da corretora FTX em 2022 e voltou ao radar com os ETFs de cripto, em que o cotista depende de um custodiante que ele nunca vê. Ao decidir onde deixar ativos digitais, vale perguntar se a instituição publica reservas e passivos, com que frequência e quem faz a auditoria. A alternativa que dispensa confiar na palavra de terceiros é a autocustódia, em que o próprio investidor controla a chave privada e não precisa da prova de reservas de ninguém.
Exemplo
Perguntas frequentes
O que é proof of reserves?
Proof of reserves, ou prova de reservas em português, é a comprovação criptográfica de que uma instituição detém os ativos que diz custodiar. Ela costuma divulgar os endereços da carteira e uma assinatura que prova o controle das chaves, permitindo a verificação direta na blockchain.
Prova de reservas prova que a corretora é solvente?
Não por si só. Ela mostra o que a instituição tem, não o que ela deve. A solvência só fica demonstrada quando a prova de reservas é cruzada com uma prova de passivos verificável, que soma tudo que a instituição deve aos clientes, em geral por uma árvore de Merkle.
Qual a diferença entre prova de reservas e prova de passivos?
A prova de reservas mede os ativos que a instituição controla. A prova de passivos mede as obrigações com os clientes. A comparação entre as duas é o que indica se as reservas realmente cobrem o que é devido.
O que é autocustódia e por que ela define a posse de verdade
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