O que é ROIC e custo de capital
O retorno sobre o capital investido só faz sentido contra o custo desse capital. É essa comparação, e não o lucro contábil, que separa as empresas que criam valor das que destroem.
Uma empresa pode dar lucro no papel e ainda assim estar destruindo valor. Parece contraditório, mas é a conta mais importante da análise de negócios. O retorno sobre o capital investido contra o custo desse capital separa quem cria riqueza de quem apenas movimenta dinheiro. Esta página explica essa conta.
Lucro contábil engana porque ignora o custo do capital próprio. O dinheiro dos acionistas não é de graça, mesmo que não apareça como despesa de juros. Quem coloca capital num negócio exige retorno por assumir risco. Uma empresa só cria valor quando rende mais do que custa todo o capital que ela usa. O ROIC contra o custo de capital mede exatamente isso.
O que é o ROIC
ROIC é a sigla de return on invested capital, o retorno sobre o capital investido. Ele mede a eficiência com que uma empresa transforma o capital empregado na operação em resultado. Ao contrário do retorno sobre o patrimônio, que olha apenas o capital dos acionistas, o ROIC considera todo o capital usado para gerar resultado, somando recursos próprios e de terceiros.
Em termos simples, o ROIC responde a uma pergunta. Para cada real aplicado na operação do negócio, quanto a empresa devolve em retorno operacional. Um ROIC alto indica que a empresa é eficiente em transformar capital em resultado. Mas, sozinho, esse número ainda não diz se a empresa cria ou destrói valor. Falta a outra metade da conta.
O custo de capital
O custo de capital é quanto custa, em média, todo o dinheiro que a empresa usa para operar. Ele combina o custo da dívida, que é a taxa de juros que a empresa paga aos credores, com o custo do capital próprio, que é o retorno exigido pelos acionistas para assumir o risco do negócio. Esse custo médio ponderado é conhecido pela sigla WACC.
O custo da dívida é fácil de medir, porque é a taxa de juros contratada, com o benefício de que os juros são dedutíveis de imposto. O custo do capital próprio é mais sutil, porque os acionistas não cobram juros explícitos, mas exigem retorno por correr risco. Esse custo implícito é a parte que o lucro contábil ignora, e é por isso que ele engana.
A conta que separa criar de destruir
Aqui está o coração de tudo. Se o ROIC é maior que o custo de capital, a empresa cria valor, porque rende mais do que custa o dinheiro que usa. Se o ROIC é menor que o custo de capital, a empresa destrói valor, mesmo que apresente lucro contábil positivo. O lucro pode ser real e o valor estar sendo corroído ao mesmo tempo.
Um exemplo torna a ideia concreta. Uma empresa com ROIC de dezoito por cento e custo de capital de onze por cento cria valor, porque rende sete pontos percentuais acima do que o capital custa. Outra empresa com ROIC de oito por cento e o mesmo custo de capital de onze por cento destrói valor, mesmo que dê lucro no papel, porque rende menos do que o capital exige. A diferença entre as duas não aparece na demonstração de resultado.
“Lucro é o que sobra depois dos custos visíveis. Criação de valor é o que sobra depois de pagar também o custo do capital próprio, que o lucro contábil esquece.”
Por que isso importa para quem investe
Empresas com ROIC consistentemente alto e acima do custo de capital costumam ter vantagens competitivas duráveis. Elas conseguem reinvestir capital com bons retornos por muito tempo, e é esse reinvestimento composto que constrói valor ao longo dos anos. A vantagem que protege esse retorno tem nome no jargão, é o conceito de fosso competitivo.
- ROIC alto e acima do custo de capital indica negócio que cria valor de verdade.
- Consistência importa mais que um pico isolado, porque revela vantagem durável.
- ROIC abaixo do custo de capital é alerta, mesmo com lucro contábil positivo.
- A capacidade de reinvestir com bom retorno é o combustível do crescimento de valor.
Onde a conta reaparece
O custo de capital não vive só nesta conta. Ele é também a taxa de desconto usada para trazer fluxos futuros a valor presente, o coração do método tratado na página sobre o que é fluxo de caixa descontado. O mesmo número que define se a empresa cria valor define quanto valem os seus fluxos futuros.
E como o ROIC e o custo de capital saem das demonstrações da empresa, ler o balanço na ordem certa é o que torna a conta possível. Mostramos por onde começar no guia sobre como ler um balanço de empresa. Para entender por que o múltiplo mais citado não captura nada disso, veja o que é o P/L.
Perguntas frequentes sobre ROIC e custo de capital
Uma empresa com lucro pode destruir valor?
Pode. Lucro contábil ignora o custo do capital próprio. Se o ROIC é menor que o custo de capital, a empresa rende menos do que o capital exige e destrói valor, mesmo apresentando lucro no papel. O lucro pode ser real e o valor estar sendo corroído ao mesmo tempo.
Qual a diferença entre ROIC e ROE?
O ROE mede o retorno apenas sobre o patrimônio dos acionistas. O ROIC mede o retorno sobre todo o capital empregado na operação, próprio e de terceiros. O ROIC dá uma visão mais completa da eficiência do negócio, porque considera a estrutura inteira de capital.
O que é o custo de capital de uma empresa?
É quanto custa, em média ponderada, todo o dinheiro que a empresa usa para operar, somando o custo da dívida e o custo do capital próprio. É conhecido pela sigla WACC e serve como a régua contra a qual o ROIC é medido para definir se há criação de valor.
Fugazzi Research
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Eduardo BiasiCNPI 10189
Analista de Valores Mobiliários credenciado pela APIMEC Brasil sob a Resolução CVM nº 20/2021, responsável técnico pela análise da Fugazzi Research.
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