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O que é o halving

É a única política monetária do mundo escrita em código, não decidida por comitê. A cada ciclo, a criação de moedas novas é cortada pela metade, sem reunião, sem voto e sem exceção.

Fugazzi Research 11 min

Toda moeda do mundo tem uma política monetária. A diferença do Bitcoin é onde ela mora. No real, no dólar e no euro, a emissão é decidida por um comitê de pessoas que se reúne, debate e vota. No Bitcoin, ela está escrita em código, fixa, e a peça central dessa regra é o halving. A cada ciclo, a criação de moedas novas é cortada pela metade, sem reunião, sem voto e sem exceção.

Halving é o evento programado no protocolo do Bitcoin que divide pela metade a recompensa paga aos mineradores por cada bloco. Ele acontece a cada 210 mil blocos, o que dá aproximadamente quatro anos, e é o mecanismo que desacelera a emissão de novas moedas ao longo do tempo. A palavra vem do inglês e significa, literalmente, divisão pela metade.

O ponto que separa quem entende o Bitcoin de quem só ouviu falar dele é este. O halving não é uma reação a nada. Não responde à inflação, ao crescimento da economia ou ao humor do mercado. Ele simplesmente acontece, no bloco previsto, faça chuva ou faça sol. É política monetária por cronômetro, não por decisão.

Como o corte funciona

Quando um minerador encontra um bloco válido, ele recebe duas coisas. As taxas das transações daquele bloco e uma quantidade nova de bitcoins criada do zero, chamada de subsídio. É esse subsídio que o halving corta. No começo da rede, cada bloco gerava 50 bitcoins novos. Depois passou a 25, depois 12,5, depois 6,25, e assim por diante, sempre pela metade.

Período aproximadoSubsídio por bloco
2009 a 201250 BTC
2012 a 201625 BTC
2016 a 202012,5 BTC
2020 a 20246,25 BTC
A partir de 20243,125 BTC
Emissão por bloco a cada halving (BTC)
Figura. O subsídio cai pela metade a cada ~210 mil blocos (cerca de quatro anos). A emissão converge para zero por volta de 2140.

A sequência continua por dezenas de cortes futuros, até o subsídio se tornar tão pequeno que arredonda para zero. Isso deve acontecer por volta do ano 2140, segundo a projeção do protocolo. A partir daí, nenhuma moeda nova será criada, e os mineradores passarão a viver apenas das taxas de transação.

O halving acontece a cada 210 mil blocos, cerca de quatro anos. A cada evento, o subsídio cai pela metade. A soma de todos os subsídios possíveis converge para um número fixo, e esse número é o teto de 21 milhões.

Por que cortar a emissão importa

Cada halving reduz o fluxo de moedas novas entrando no mercado. Se a demanda permanece estável e a oferta nova cai, a teoria econômica básica sugere pressão de alta sobre o preço. É daí que vem boa parte da fascinação do mercado com o evento. Mas a Fugazzi Research trata esse raciocínio com cautela, e por um bom motivo.

O subsídio é apenas uma das fontes de oferta. Existe muito mais Bitcoin já em circulação do que o que é criado a cada bloco, e quem decide vender o que já tem pesa tanto quanto a emissão nova. Além disso, mercados antecipam. Um evento conhecido com anos de antecedência tende a já estar refletido nos preços antes de acontecer. Tratar o halving como gatilho garantido de alta é confundir um fato de oferta com uma promessa de retorno.

O halving é um fato relevante sobre a oferta. Ele não é uma previsão de preço, e quem o vende como tal está contando uma história, não descrevendo o protocolo.

210k
Blocos entre cada halving
~4 anos
Intervalo aproximado entre eventos
~2140
Ano projetado do último subsídio

Código contra comitê

A diferença mais profunda do halving não está na matemática, está na governança. A política monetária de uma moeda estatal pode mudar em uma reunião. Pode-se acelerar a emissão para financiar gastos, conter uma crise ou responder a uma pressão política. Quem detém a moeda fica sujeito a essas decisões, sobre as quais não tem voz.

No Bitcoin, a regra de emissão é a mesma desde o primeiro bloco e mudá-la exigiria que a esmagadora maioria da rede concordasse em rodar um software diferente, contra os próprios interesses de quem já detém moedas. Na prática, a regra é tida como sagrada. O halving é a expressão dessa rigidez, a prova de que existe uma moeda cuja oferta nenhum comitê controla.

Isto não é recomendação de investimento. O halving altera a oferta de moedas novas, não garante valorização. A volatilidade do Bitcoin segue elevada, e o preço depende de muitos fatores além da emissão.

O halving no desenho maior

O halving não existe sozinho. Ele é o instrumento que faz o teto de oferta ser cumprido, e esse teto é o assunto de por que 21 milhões é um limite, não uma promessa. O corte só vale porque ninguém consegue burlá-lo, e isso depende do mecanismo de consenso descrito em o que é prova de trabalho.

Para uma leitura focada no evento mais recente, sem profecias de preço, veja o que o último halving muda e o que não muda.

Perguntas frequentes sobre o halving

O halving faz o preço do Bitcoin subir?

Ele reduz a emissão de moedas novas, o que em tese diminui a pressão de oferta. Mas o preço depende de muitos outros fatores, e mercados costumam antecipar eventos previsíveis. Historicamente houve grande volatilidade ao redor dos halvings, sem garantia de direção. Tratar o evento como certeza de alta é um erro de raciocínio, não uma leitura do protocolo.

Quando acontece o próximo halving?

Não há data fixa de calendário, porque o evento depende da altura de bloco, a cada 210 mil blocos. Como os blocos saem a cada dez minutos em média, a estimativa fica em torno de quatro anos entre eventos, mas a data exata só se confirma à medida que a rede se aproxima da altura prevista.

O que acontece quando não houver mais halvings?

Quando o subsídio chegar a zero, por volta de 2140, nenhuma moeda nova será criada. A partir daí, os mineradores serão remunerados apenas pelas taxas de transação. A segurança da rede passará a depender inteiramente desse mercado de taxas, um tema que já é objeto de estudo e debate na comunidade.

Fugazzi Research

Do conceito ao método aplicado.

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Sobre o autor

Eduardo BiasiCNPI 10189

Analista de Valores Mobiliários credenciado pela APIMEC Brasil sob a Resolução CVM nº 20/2021, responsável técnico pela análise da Fugazzi Research.

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Conteúdo educacional produzido de forma independente pela Fugazzi Research, casa de análise credenciada como pessoa jurídica pela APIMEC Brasil, sob responsabilidade técnica do analista Eduardo Biasi, CNPI 10189 (Certificação Nacional do Profissional de Investimento), credenciado pela APIMEC Brasil sob a Resolução CVM nº 20/2021. Regulatório e Compliance.

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